LEITURA: Uma nova visão de mundo.

A leitura vem se tornando uma ferramenta cada vez mais indispensável na vida de todos, embora muitos ainda não a tenham como hábito. O resultado deste artigo tem como objetivo atentar ao grande número de brasileiros que, devido a falta de leitura, possuem a vida afetada de diversas maneiras. Desta forma, o texto possui o intuito de analisar as habilidades de comunicação escrita com os conhecimentos gerais de humanas e políticas que são discutidos atualmente. Assim sendo, buscou-se informar as pessoas sobre os vários benefícios, o que ela pode influenciar em nossas vidas, desde caráter, senso crítico e informações sobre diversos assuntos. Através de um questionário, analisou-se o perfil do leitor com objetivo de idealizar os aspectos deste hábito em seu intelecto, personalidade e os efeitos de tal costume em seu cotidiano.

O que é a leitura?

O domínio da língua assume papel significante dentro das expressões de ideias e pensamentos em nosso mundo tecnológico atual. A interpretação e comunicação pode fornecer ao indivíduo uma nova visão de mundo e uma maior produção de conhecimento, proporcionando melhor qualidade de vida (FLECK, 2011).  A leitura é um processo de interação entre leitor e texto, configurando-se um meio de aquisição do que se passa ao redor do homem. Portanto, tem dimensão social e cultural; provoca, enriquece e encaminha a reflexão.

Ela é uma ferramenta importante no processo de desenvolvimento cognitivo de qualquer estudante e ponto considerável na formação crítica em todos os níveis de ensino. Nesse sentido, possui papel fundamental na transformação de uma sociedade e concebe-se como aparato que transforma a realidade de qualquer indivíduo. 

De fato, ler não é tão simples. Ler não é uma atividade completamente passiva, mas dinâmica. Do mesmo modo que uma biblioteca não é um mero depósito silencioso de livros. Na leitura há o cruzamento de dois mundos e a possibilidade de se perceber as coisas através de outro ponto de vista. Um livro é um mundo: o mundo de leituras de seu autor dialogando com o mundo do leitor. Por isso, a leitura nunca será igual para dois leitores. Este processo é, sobretudo, civilizador. Como afirmou Mario Vargas Llosa ao receber o prêmio Nobel de Literatura em 2010: “um mundo sem literatura se transformaria num mundo sem desejos, sem ideais, sem desobediência, um mundo de autômatos privados daquilo que torna humano um ser humano: a capacidade de sair de si mesmo e de se transformar em outro, em outros, modelados pela argila dos nossos sonhos”.

Qual a preferência de leitura dos leitores brasileiros? Ano de 2020.

Benefícios que a leitura proporciona

Você já ouviu dizer que realizar a leitura também é uma forma de exercício? Mais que isso,  é importante em vários fatores: Ler frequentemente possibilita que a pessoa compreenda diversas figuras de linguagens e até mesmo evite doenças psicológicas.

Neurologistas da USP produziram diversas pesquisas relacionadas à ressonância magnética funcional. Estas, poderiam mostrar como funcionaria o processo de leitura em nosso cérebro. Descobriu-se que muitas áreas do cérebro são ativadas quando conseguimos relaxar e realizar a leitura, ativando ainda mais em análises concentradas e complexas. Estas áreas ainda conseguem permanecerem ativas após muito tempo terminada a atividade. Além do que fora citado, a leitura é capaz de estimular a memória,  podendo expandir consideravelmente a capacidade mental, sendo considerada até mesmo como um combustível inesgotável. Em suma, essa prática é uma das melhores maneiras para manter o cérebro ativo.

Desta forma, podemos considerar a leitura como uma grande influência para a ativação cerebral. Existem muitas técnicas para realizar uma leitura adequada e eficiente: ler em voz alta, escrever resenhas sobre o que se leu, repetir aquilo que aprendeu, ler em silêncio e leitura com música de fundo (as mais recomendadas são as clássicas). 

"O impacto de um livro", obra de Jorge Mendez Blake.
“O impacto de um livro”, obra de Jorge Mendez Blake.

Hábito

O hábito é capaz de auxiliar no desenvolvimento da gramática e na capacidade de ouvir o próximo. De acordo com algumas pesquisas, todos os gêneros resultam em respostas similares para o cérebro. O mais importante que fora abordado por vários especialistas, é que quanto mais profunda for a realização desta atividade, maiores serão as associações  criadas pelo indivíduo. Em suma, os melhores resultados serão aqueles em que a leitura fora feita de forma profunda, que influenciou a moral de cada pessoa.

Muitas pessoas entrevistadas argumentam que o hábito surge muitas vezes na infância com incentivo dos pais e professores:

“Minha mãe sempre gostou de ler. Tínhamos vários livros em casa e, na infância, ela sempre comprava vários livros e gibis.”

“Adultos lendo para mim quando bem pequena.”

“Eu conheci, quando tinha 8 anos e estava na 3 série e não sabia ler. Minha professora de português então, me colocou no reforço. E eu me dediquei a aprender. Quando foi uma dia, fui trabalhar com a minha mãe – Ela é empregada doméstica – fomos até a casa onde ela ia trabalhar e no caminho, pedi para ela comprar uma revistinha do Pica- Pau. Fui juntando as palavras e entendia tudo o que estava escrito. Só fui me dar conta que estava lendo quando cheguei entre as páginas 30 e 38. Sai pela casa procurando minha mãe e mostrando o que estava escrito enquanto ela trabalhava. Nunca me esqueci disso, que me esforço valeu a pena! Dou muito valor a leitura por conta disso!”

“Em casa através dos quadrinhos e na escola mais a fundo com uma matéria sensacional que tive na quinta série, PLPT (programa de leitura e produção de texto). Acredito que todo mundo deveria ter essa matéria pelo menos uma vez na vida acadêmica.”

Quantos livros o brasileiro lê por ano?
Vale ressaltar que o maior número de respostas equivalem à região Sul, Sudeste e Centro-Oeste, sendo apenas 10,9% pertencente ao Norte e Nordeste.

Leitura: uma atividade cansativa?

Não  se pode definir qual o melhor horário para a realização efetiva desta ação.  Na maioria das vezes, as pessoas preferem pela manhã pois possuem maior capacidade de concentração. Contudo, existem muitos leitores que sentem-se mais dispostos pela noite. Muitas pessoas argumentam que a leitura é cansativa e causa sono. Entretanto, muitos médicos afirmam que não é exatamente o livro que faz com que o indivíduo sinta sono, e sim, um conjunto de substâncias químicas que interagem dentro do corpo humano. Como exemplo, podemos citar  a adenosina, que possui a capacidade de se acumular ao longo do dia, podendo causar sono. Ou seja, o horário da leitura de cada pessoa influencia muito em seu rendimento.

Para resolver esta questão, é de extrema importância tentar ler em outro momento. Outra substância envolvida é nomeada como melatonina, que é capaz de ajudar a regular o sono, sendo liberada principalmente quando o local escurece. Desta forma, quem lê por meios digitais, sentirá menos cansaço do que quem realiza a leitura pelo papel / livro físico. Apesar disso, a leitura em livros digitais poderá alterar a qualidade do sono.

O que os entrevistados dizem sobre isso?

“É muito importante pois ajuda a melhorar muitas coisas, tanto academicamente, quanto pessoal. A leitura, às vezes, é um refúgio para distrair-se de pensamentos negativos também e tem me ajudado muito na faculdade.”

“Ajuda nas minhas crises de ansiedade, aumenta minha criatividade e imaginação, aumenta meu conhecimento e melhora meu vocabulário.”

“No dia a dia, no meio dessa pandemia e preocupações com o mundo, a leitura é o único momento que possuo para me distrair e adentrar outro universo menos caótico. É a chance que eu tenho de usar a imaginação e ter um tempinho apenas para mim.”

“A leitura é muito mais que informação, ela é uma válvula de escape. Minha escrita, ansiedade, disciplina nos estudos melhorou muito após o hábito de ler.”

Benefícios da leitura - gráfico

Pesquisa presencial e online

Após a pesquisa presencial, percebemos que a maioria dos entrevistados da cidade de Brusque – SC terminam aproximadamente um livro por ano ou nem isso. A maioria dos entrevistados não souberam responder as questões de conhecimento geral sobre ciência e possuíram visões similares sobre sociedade, embora obtivessem opiniões rasas e não conseguissem expressar-se através da escrita. Os candidatos que liam com menos frequência, interpretavam de forma errônea as perguntas e não sabiam responder as questões mais complexas que exigiam argumentação. O fator curioso é que todos acreditavam saber sobre as temáticas abordadas, entretanto, não conseguiam desenvolver a opinião crítica. No entanto,  aqueles que liam com periodicidade, não tiveram problemas em responder às mesmas.

Grande parte dos candidatos não possuíam conhecimentos relacionados à artes e assuntos abordados em filosofia, tais como as definições de ética e moral. Apesar disso, a maioria dos entrevistados concorda que a leitura é importante, pois a mesma gera conhecimento e este lhe abre muitas oportunidades, concordam que a prática contribui para a formação crítica de um cidadão consciente. Em relação ao questionário online, nota-se mudança significativa nas respostas.

Fora respondido por cerca de 86,5% de mulheres, 12,6% de homens e com 0,9% de pessoas que preferiram não responder seu sexo, ambos possuíam idades variadas sendo a média entre 20 e 40 anos. Vale ressaltar que a maioria dos gráficos prevalecem as respostas de pessoas situadas no Sul, Centro-Oeste e Sudeste, sendo apenas 10,9% das respostas da região Norte e Nordeste. Diferente do questionário presencial, focou-se em perguntar se os leitores saberiam e o significado de preconceito linguístico. Estes, conseguiram se expressar de forma significativa. Observe abaixo:

O que é preconceito linguístico? (questionário online)

“Na verdade, o preconceito linguístico está em todo canto, seja social, econômico, regional ou até na música. Bom, eu sou nordestina e moro em São Paulo, uma certa vez estava com alguns colegas paulistanos e falei a palavra capote (é o mesmo que casaco na Bahia), e acabei sendo repreendida, de forma bem grosseira, por uma colega, ela me disse que eu não deveria falar aquela palavra, pois não estava no meu estado e sim em São Paulo!”

“Preconceito linguístico é um conjunto de discriminações de cunho social em relação à fala e à escrita de determinados grupos sociais, já que na fonética e na fonologia as variações e as mudanças linguísticas são tidas como naturais no processo de comunicação. Ou seja, não há comprovações científicas que explicam que uma forma de utilizar a língua é melhor que a outra. Por exemplo, pessoas que moram em áreas rurais têm a fala mais conservadora e mantêm aspectos lexicais, morfossintáticos e fonológicos com mais facilidade do que pessoas que moram em grandes centros. Geralmente, essas pessoas sofrem preconceito por serem mais pobres, terem menos acesso às áreas urbanas, terem a formação escolar mais limitada, etc, e esse preconceito se estende para a forma como essas pessoas se comunicam.”

“Como exemplo, a fala com desvios notáveis da norma culta de algumas pessoas em espaços públicos sendo avaliada como errada por pessoas com vocabulário mais próximo da norma, em que não levam em consideração os desvios que todos nós, até mesmo profissionais, cometemos em relação a linguagem dita como culta.”

“Sou estudante de letras, então estudo essa área e tive um enfoque maior sobre. Percebi que até mesmo a grande mídia desvaloriza os diferentes sotaques regionais a fim de moldar uma linguagem padrão que, consequentemente, resulta em preconceito. Quando as novelas não buscam representar sotaques nordestinos ou de qualquer outra região, isso dá brecha para que os falantes desses sotaques sejam marginalizados e obrigados a se adequarem ao dialeto falado na região que está, independente de sua essência e costumes.”

Perguntas gerais presenciais

  1. O que você entende por DITADURA MILITAR?
  2.  Cite o nome de 4 (quatro) escritores/artistas importantes para a arte em nossa  história: 
  3. O que você entende pelo modelo de sociedade imposto por Karl Marx?
  4. Qual a diferença entre ética e moral? 
  5. Cite 3 (três) exemplos de preconceito linguístico. 
  6. Qual sua opinião sobre os refugiados da Venezuela que migravam para o Brasil?  
  7. Usando embasamentos históricos, diga sua opinião sobre a importância do estado laico em nosso país: 
  8. Em uma sociedade globalizada como a que vivemos hoje, qual a importância de sabermos o que é apropriação cultural?

Leitura em sala de aula

A formação de um leitor inicia-se no âmbito escolar, em que geralmente, com o amparo de professores se tem a possibilidade de diversificar o conhecimento. Qual a importância da leitura para a formação cidadã do leitor? Se tratando de leituras em sala de aula, pode-se realmente dizer que contribuem para o desenvolvimento de um legente reflexivo? 

Apesar de 81% dos entrevistados online haverem declarado que consideram a leitura algo importante quando estimulada dentro de sala de aula, pode-se notar algumas críticas sobre a forma como é realizada. Muitas vezes, as recomendações podem surgir de maneira maçante e forçada aos discentes: os gêneros clássicos possuem linguagem complexa, podem afastar adolescentes e crianças. Desta forma, muitos criam bloqueios em relação à leitura devido a má experiência ocorrida entre aluno e ambiente escolar. Assim sendo, aqueles que permanecem conectados nessa área, preferem na maioria das vezes, orientarem-se de maneira autodidata nas escolhas de seus livros. Alguns comentários dos entrevistados:

“É preciso serem pensadas e selecionadas de acordo com o público. Um primeiro contato com a leitura que seja desestimulante pode afastar ou criar bloqueios e preconceitos em novos leitores.”

“Prefiro ler sozinho e depois levar para a aula discutir com outros colegas que também leram.”

“Pode ser importante não vou discordar, porém prefiro me orientar sozinha de acordo com minhas preferências pessoais.”

“Sempre são importantes, dentro e fora da sala de aula. Mas no meu caso eu me oriento sozinha, conforme meu gosto e disponibilidade de tempo.”

“Creio que elas são mal direcionadas e por isso, muitas vezes afasta mais do que aproxima o jovem dos livros.”

“São importantes, mas incentivar os crianças e jovens lerem aquilo que as atrai é muito mais estimulante.”

Encontre seu gênero favorito

Como visto nos relatos sobre leituras em sala de aula, pode-se notar determinado desconforto entre tais recomendações e obrigações. Sabe-se também que a leitura em sala de aula é um fator importante e estimulante para o surgimento de novos leitores, entretanto, deve-se levar em consideração outros contextos sociais de determinada região.

Durante a pesquisa realizada, descobriu-se que o gênero mais lido entre pessoas com cerca de 15 a 40 anos é romance e segue-se a fantasia e ficção científica. Para Márcia Abreu, as mulheres tiveram o direito de começar a ler obras destes gêneros com enorme dificuldade. Ela argumenta que no século XIX a sociedade acreditava que a leitura levaria as moças cultas para o mundo do crime e das paixões ilícitas. Supor-se em uma posição adúltera era mais grave que praticar o próprio adultério. Assim sendo, os livros fariam com que as moças se esquecessem de suas obrigações diárias. Como exemplo, temos a obra Madame Bovary, em que o escritor  Gustave Flaubert fora processado após o lançamento da obra.

Gêneros de leituras favoristos pelo brasileiro - 2020

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