Capitalismo: Mais-valia, exploração e dinheiro.

Neste sistema conhecido como capitalismo, a produção é realizada pelos trabalhadores. Estes, não possuem a matéria-prima para a produção e a empresa é privada e pertence a somente uma pessoa ou grupo. Ou seja, a prole sobrevive apenas de sua força de trabalho e o vende para comprar itens básicos como alimentos. É uma atividade de dupla troca em que o capitalista compra o serviço e também oferece as metodologias para a realização de determinada função. 

Como a burguesia se apropriou dos meios de produção?

Um exemplo fora o Cercamento no século XVII, em que as terras de uso comum na Inglaterra foram apropriadas pelos nobres. Assim sendo, a maioria dos camponeses foram expulsos enquanto os novos donos produziam visando receber lucro sobre os produtos. Algo parecido ocorreu no Brasil no século XIX, em que os grandes latifundiários apropriaram as terras dos camponeses com base na Lei de Terra.

Paralelamente aos cercamentos, surge a manufatura. Os artesãos produziam todo o material e após o surgimento, o burguês define a divisão das tarefas entre eles. Assim, muitos artesãos perderam o emprego e graças à enorme quantidade de trabalhadores aceitando qualquer função, a burguesia impôs situações precárias.

Segundo Panazzo e Alviero ( 2009, p. 78), “As jornadas variam entre catorze e dezesseis horas por dia; as instalações das fábricas, mal iluminadas e pouco ventiladas, ficavam praticamente ocupadas pelo maquinário. O manuseio das máquinas exigia muita atenção – qualquer descuido poderia resultar em graves acidentes, como mãos decepadas nos teares, membros esmagados nas prensas, rostos queimados nas fornalhas. Os patrões preferiam empregar mulheres e crianças porque constituíam mão de obras mais barata do que a dos homens, tinham mais facilidade para se movimentar nos poucos espaços livres entre as máquinas e eram mais ágeis para operá-las. Nas minas de carvão, os mineiros trabalhavam por longos períodos e recebiam baixos salários, sob risco de soterramento, de doenças respiratórias por falta de ventilação e por causa da umidade nas galerias subterrâneas”

A origem do capitalismo

Um dos principais fatores para a ascensão do capitalismo é a grande quantidade de metais preciosos que a Inglaterra possuía por saquear diversas embarcações espanholas. Outro fator fora  a assinatura do Ato de Navegação em 1651, que conseguia eliminar a Holanda das concorrências de navegação. Conseguindo, portanto, tornar o serviço monopolizado e adquirir enorme acúmulo de capital.

O Brasil indiretamente também contribuiu com seus metais preciosos. A metrópole portuguesa extraía o ouro e pagava a Inglaterra devido ao Tratado de Panos e Vinhos. O tratado tinha como objetivo a exportação de vinhos para a Inglaterra enquanto esta, ficaria responsável pelos tecidos. Entretanto, não fora um acordo benéfico para a coroa portuguesa, principalmente pois “todos consomem tecidos e roupas, contudo, muitos não bebem vinhos”. 

Como é criada a Mais-Valia?

É justamente no salário do trabalhador que o burguês consegue obter lucros em sua empresa. O patrão soma o valor do trabalho de todos os trabalhadores e também vende os produtos por um valor consideravelmente maior. Assim sendo, o trabalhador tende a trabalhar por 8 horas mas o que recebe não compensa esse tempo. Deste modo, o capitalista se apropria do restante do serviço e de todo o capital. Observe:

04 h – tempo de trabalho NECESSÁRIO = SALÁRIO 

4 horas – tempo de trabalho EXCEDENTE  = MAIS-VALIA (LUCRO)

Portanto, a mercadoria é somente definida pela força de trabalho e esta, vendida e trocada pela moeda. Só que o que ocorre é que muitas pessoas acreditam que a exploração não existe e que o valor de seu dinheiro está unicamente no preço de suas mercadorias, desencadeando o trabalho alienado. Com isso, o lucro está acima da vida, os interesses entre as duas classes se opõem. 

No livro produzido pela e-Tec sobre filosofia encontramos: “ O capitalista obtém mais-valia quando investe seu dinheiro (D) na compra de dois tipos de mercadoria (M): força de trabalho e meios de produção. A força de trabalho cria novos valores, mercadorias que ao serem vendidas geram mais dinheiro (D’) do que o valor inicialmente investido pelo capitalista.   → D – M – D’ “

O trabalho humano: Uma ação transformadora

O trabalho é a atividade em que o homem pode transformar a natureza e a si mesmo. Ou seja, o trabalho pode definir como ele se relaciona com seu auto conhecimento e com o restante da sociedade. Contudo, o trabalhador deixa de seguir sua natureza quando passa a possuir o intuito de produzir para gerar o lucro dentro de sua ideologia. Então, chamamos de trabalho alienado quando o bem produzido não pertence a quem o gerou mas a outro.

É o que comenta Aranha( 1986, p. 60,): “… não é apenas o produto que não mas lhe pertence. Ele próprio deixa de ser o centro de si mesmo. Não escolhe seu salário – embora isso lhe apareça ficticiamente como resultado de um contrato livre -, não escolhe o horário, nem o ritmo de trabalho, passa a ser comandado de fora, por forças estranhas a ele. Ocorre o que se chama fetichismo da mercadoria, pois esta assume valor superior ao homem”

Logo na Revolução Industrial, aquele que produz não consegue pensar sobre sua atuação, ele não se pode definir. Assim, o trabalho não faz mais fruto da capacidade criativa humana e sim de uma linha de produção. O proletário passa a desconhecer o que ele próprio produz, passando apenas a realizar apenas uma atividade específica. Ou seja, o trabalho que deveria anteriormente melhorar o mundo, se torna instrumento de alienação e dominação. 

Indivíduo e Capitalismo

Estamos a todos os instantes ouvindo que precisamos cuidar do meio ambiente. Todavia, por que mesmo assim ele continua sendo destruído? Será que o uso massivo de agrotóxicos e a destruição do Planeta são de interesse da sociedade? Anteriormente antes da existência de outras ferramentas modernas, o homem devia se subordinar à sociedade pois precisava de seus meios para sobreviver. No entanto, atualmente, o trabalho pode ser considerado uma atividade individual. Isso de deve principalmente pela propriedade privada: a razão da existência pessoal  deixa de ser articulada com a coletividade. Assim, muitas pessoas consideram as outras como adversárias.

Em suma, o capitalismo criou uma sociedade em que os indivíduos estão subordinados ao lucro e não ao meio natural. É por esse motivo que diariamente se despeja agrotóxicos no solo e poluição de todos os tipos nas terras e rios. A dimensão coletiva é deixada de lado e o ganhar se torna essencial.

Consumismo em uma sociedade capitalista

Todas as sociedades necessitam consumir para manter a subsistência. Entretanto, quando o consumir ultrapassa o objetivo em si e deixa de ser um meio para o alcance de outros objetivos, nos encontramos com o consumismo. Nos deparamos com essa palavra principalmente no capitalismo: ele necessita deste consumo para a obtenção de lucros. Quanto mais mercadorias são fabricadas e vendidas, maior a quantidade de mais-valia produzida pela empresa.

Assim, se criam falsas propagandas de necessidade do produto através do marketing. Uma das maiores estratégias é o storytelling e o uso da dor de um comprador em potencial para atraí-lo. Segundo Gisele Zambone: “No Brasil, as transformações no comércio se intensificaram após a II Guerra Mundial, década de 50, com a consolidação e a expansão da indústria de nosso território. Isto, associado à produção industrial de bens de consumo duráveis e não duráveis, produzidos em grande escala, à crescente concentração de pessoas nas cidades… ao aumento do consumo e à generalização do uso do automóvel, possibilitou a introdução de novas formas comerciais, como os shoppings centers, mas também a consolidação dos supermercados e hipermercados – a diferença básica entre os dois está no número de caixas (check out) e na variedade de produtos disponíveis. “(2006, p. 168)

Ponto de vista ambiental e o capitalismo

Do ponto de vista ambiental, o consumo acompanhado da produção desenfreada só pode resultar na poluição e na redução de recursos não renováveis. Principalmente o uso de combustíveis fósseis podem contribuir para o desequilíbrio ambiental. Além disso, o consumo desenfreado pode resultar em um trabalho alienado e em outras características psicológicas como depressão, ansiedade e vazio. Portanto, devemos aniquilar o conceito de “quanto mais, melhor” e apenas consumir o necessário para nossa sobrevivência. Poderemos, assim, proteger as próximas gerações.

2 comentários em “Capitalismo: Mais-valia, exploração e dinheiro.

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