Descartes: Conheça tudo sobre O Discurso do Método.

A obra mais conhecida de Descartes é Discurso do Método e aborda de maneira mais profunda as fases de como adquirir o conhecimento. Ela é dividida em seis partes: Considerações relativas à ciência, principais regras do método, regras da moral, Deus e alma humana, diferença de almas e a medicina, razões para escrever. Vale ressaltar sobre a preocupação do filòsofo sobre as mais variadas metodologias e as dúvidas de seus caminhos: “Todavia, pode ocorrer que eu me engane, e talvez não passe de um pouco de cobre e vidro o que tomo por ouros e diamantes.” (38-39)

Novamente nos deparamos sobre o que Montesquieu, Platão e Aristóteles defendiam em suas obras: cada um com suas funções. Descartes indiretamente utiliza da mesma metodologia: o conhecimento é melhor quando construído por uma pessoa do que com várias. Uma pessoa deve analisar a verdade e administrar seu conhecimento: os apegos aos velhos conceitos devem ser eliminados. Além disso, existem vários tipos de pessoas quando tratamos sobre pesquisa, principalmente os que acreditam serem mais hábeis e não se policiam em realmente se aprofundar.

Como alcançar a verdade?

As principais dicas de Descartes são: Nunca aceitar algo como verdadeiro, dividir o conhecimento em várias partes, conduzir os pensamentos por ordem, não omitir nada em hipótese alguma. Não basta apenas conseguir reformular os antigos métodos de nossa sociedade, é necessário uma moral provisória. Mas, o que é moral provisória? É ser firme e resoluto, evitando excessos. Em suma, sempre vencer a si mesmo e não à fortunas e conceitos tradicionais.

Seu método se difere dos céticos, que apenas “duvidam por duvidar”. Seu propósito é retirar a areia da terra molhada para encontrar a rocha e a argila. O conhecimento pode ser comparado com uma casa que ao mesmo tempo é velha e
nova: devemos destruir a velha (velhos conceitos) por uma nova, com apenas uma só mão, não com várias pessoas; pois, quando a obra é construída sozinha, ela ficará muito melhor.

Descartes aborda sobre nossa existência

Podemos notar, sempre a presença do uso da razão no Discurso do Método, desde para alcançar ao conhecimento, até para provar a existência da alma. Daí vem a sua frase mais famosa “penso, logo existo”: Para explicá-la, o autor cita que não podemos fingir que não existimos, mas podemos fingir que não pertencemos a um meio material, essa nossa essência (alma) é racional e não depende do meio material, e sim de Deus. Para Descartes, a verdade e a perfeição provém dele, o mundo foi criado por ele.

Em suma, o filósofo busca a perfeição e ela está em Deus, seu argumento é que, nossa capacidade de conhecimento é limitada por Deus e que se fôssemos totalmente autônomos, poderíamos alcançar e obter todo o conhecimento de que precisaríamos. É como se existisse uma enorme influência platônica quando Descartes argumenta que o sofrimento não vem de um criador: o sofrimento é causado pelo corpo e não pela alma. No livro Fédon, encontramos as citações: “O espírito é ordenador e a causa de todas as coisas” / “Seu corpo, já que é este quem agita a alma e a impede de adquirir a verdade e exercer o pensamento.”

Citações de Descartes

“A diversidade de opinião não se deve pela capacidade de racionalizar, e sim, (…) as nossas considerações.” (37)

“É bom omitir coisas que tragam algum proveito aos que vivem quando se tem o preceito de fazer outras que beneficiarão ainda mais nossos descendentes.” (106)

“(…) Nossa vontade tende a seguir ou a evitar alguma coisa apenas conforme o entendimento lhe mostre ser boa ou má.” (64)

“Todavia, pode ocorrer que eu me engane, e talvez não passe de um pouco de cobre e vidro o que tomo por ouro e diamantes.” (37)

“Os que têm sentimentos muito contrários aos nossos nem por isso são bárbaros ou selvagens, mas que muitos usam, tanto ou mais que nós, a razão.” (52)

Questionários sobre Descartes

1- Com base no texto abaixo, responda: Que relação em anos de solidão possui com o livro Discurso do Método de Descartes? O autor faz o uso da razão? A partir da razão podemos obter todo conhecimento?

O livro “Cem anos de solidão” de Gabriel García Márquez, retrata a história do início e fim da família Buendía no povoado Macondo. Um momento marcante, é quando o coronel Aureliano estava em frente ao pelotão: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”. Além da descoberta de coisas novas como gelo, o fundador fazia o uso da alquimia, seus descendentes comiam terra, caiu sobre a aldeia a peste da insônia e para se livrar dela, eram utilizados os mais variados tratamentos.

Em uma entrevista entre unicamp e Alejandra Jaramillo Morales, podemos notar a seguinte resposta: “Dito de outra maneira, em uma época marcada pelo positivismo científico e pela racionalidade, portanto Cem anos de solidão nos devolve a esperança em um ser humano complexo que, desde suas múltiplas facetas lógicas e ilógicas, pode se reconstruir. Isto também é o que faz com que a novela siga sendo atual, porque seguimos em uma era em que a razão e a lógica querem se sobrepor a outros tipos de conhecimento. Cem anos de solidão é uma saída inteligente e fascinante a essa imposição.”

2- No livro “ Kafka à beira-mar”, o protagonista foge de sua casa para um lugar completamente diferente em busca do autoconhecimento. No trecho abaixo, podemos observar uma relação com o encontro da verdade ou, até mesmo, sobre a existência de Deus (temas abordados por Descartes), por quê?

“E então, sob o resplandecente céu noturno, sou acometido por nova e violenta onda de pavor. O ar me falta e o coração acelera. Eu vivera sobre o intenso escrutínio dessas incontáveis estrelas, mas nem me dera conta de que existiam. Jamais me passara pela cabeça considerá-las com seriedade. Aliás, não só a elas. Pois, quantas coisas além delas não haveria no mundo de cuja existência eu não tinha a menor ideia ou não me dera conta? Penso nisso e me sinto irremediavelmente pequeno e incapaz. É inevitável.”

3- Sobre a moral provisória, assinale a alternativa correta e corrija as erradas.

A- É totalmente ligada ao ceticismo, que duvida por duvidar e não possui o objetivo de realmente adquirir o conhecimento por um longo período.

B- Cultivo da razão e avanço do conhecimento, tendo como base: vencer a si mesmo, ser firme, entre outros.
C- O filósofo se inspira em diversos outros matemáticos e cria a moral provisória, que em síntese se trata de princípios/criação de cálculos para alcançar a verdade absoluta.
D- Foi fortemente discutida por Agostinho e Kant, junto com a ética. Tempos mais tarde, Descartes argumenta sobre sua essência equivocada.
E- É abordada pelo filósofo Bauman, onde demonstra a fragilidade dos laços humanos devido ao modelo de economia atual.

4- A imagem abaixo, se tornou popular em páginas de facebook que criam conteúdos interativos para jovens, relacionados à filosofia, tais como: Existencialismo Virtual e Filosofia Moderna. Ela faz uma crítica ao momento em que vivemos atualmente, fazendo referência à frase de Descartes: “Penso, logo existo”. Com base nisso, responda: Qual o sentido da frase em sua essência comparada com essa da imagem? Qual a crítica que o autor desejava passar?
Descartes e sua relação com o mundo atual
5- Qual a metáfora/analogia que Descartes utilizou para a separação do verdadeiro e do falso? Assinale a resposta.

A- É como estar perdido em uma floresta, devemos seguir a mesma direção para não nos perdermos.
B- Retirar a areia e a terra molhada para alcançar a argila e a rocha.
C- Podemos fingir que não temos corpo mas não podemos fingir que não existimos.
D- Deus criou tudo junto com suas leis.

4- No decorrer do ensino médio, nos deparamos com o mito da caverna, abordado por Platão em seu livro A República. Os personagens permanecem a vida inteira presos em correntes no fundo de uma caverna. Viam apenas as sobras de animais e coisas presentes no lado de fora. Após um tempo, um personagem consegue escapar das amarras e ver o mundo exterior, no início seus olhos doíam e descobriu o mundo novo. Decidiu então, voltar para a caverna e contar para seus amigos, entretanto, eles se revoltaram contra ele e queriam sua morte.
Com base nisso, discorra sobre a relação entre o mito da caverna e o texto lido em
relação ao conhecimento.
5- No decorrer da leitura, nos deparamos com pensamentos que “influenciaram” Descartes em seus textos, tais como: “Se eu estiver errado, existo” (Agostinho). Até mesmo em Fédon, de Platão “Seu corpo, já que é este que agita a alma e a impede de adquirir a verdade.” Portanto, faça uma investigação de outros filósofos que criaram teorias parecidas com Descartes, sejam elas no âmbito de existência, alma ou Deus.

DESCARTES, René. O Discurso do Método. Tradução: Paulo Neves. Porto Alegre: L&PM, 2019. 128 p. v. 1.

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